• Victor Hugo D. Bongiolo

Modalidades de pagamento


No âmbito nacional, todos conhecemos os meios de pagamentos, sendo estes por dinheiro, cartões, boletos, podendo ser à vista ou a prazo, entre muitas outras maneiras de realizar uma compra ou venda. Já no mercado internacional, existem condições de pagamentos e modelos que são utilizados há muito tempo, sendo os quatro principais: remessa sem saque, pagamento antecipado, cobrança documentária e carta de crédito. A seguir, iremos apresentar uma breve explicação destes modelos, que serão explicados do ponto de vista do IMPORTADOR.


Remessa sem saque:

O importador somente irá pagar pela mercadoria após o recebimento desta, ou seja, após a sua nacionalização e abertura do container, comprovando o recebimento da mercadoria acordada. Veja abaixo algumas etapas que ocorrem nesta modalidade:

1. O exportador envia a mercadoria para o porto de destino do importador.

2. O exportador envia os documentos ao importador.

3. Com os documentos, o importador realiza o desembaraço da mercadoria.

4. O importador realiza o pagamento ao exportador.


Este modelo é caracterizado pelo alto risco ao exportador, já que estará enviando a carga sem receber efetivamente o pagamento e, baixo risco ao importador, que estará em posse da mercadoria sem ter feito o pagamento.


Pagamento antecipado:

O importador deverá pagar pela mercadoria para dar início a produção, sem nem mesmo ter recebido a mesma. Nesta modalidade, pode haver um acordo entre as partes, ocorrendo uma divisão de pagamentos, como por exemplo: O exportador pode aceitar receber 30% do valor do produto para dar início a produção, e receber 70% após a produção finalizar. Este é apenas um exemplo, pois tudo é negociável, inclusive a quantia paga e prazo estabelecido para o pagamento. Mas é garantido que o importador estará pagando por 100% da mercadoria sem nem mesmo ter recebido ela. Veja abaixo algumas etapas que ocorrem nesta modalidade:

1. O importador efetua o pagamento ao exportador por meio de uma instituição bancária.

2. O banco do importador remete a ordem de pagamento ao banco do exportador.

3. Assim, o banco do exportador notifica o seu cliente avisando que o pagamento foi efetuado.

4. O exportador realiza o despacho da mercadoria.

5. Remete os documentos ao importador.

6. Em posse dos documentos, o importador realiza o desembaraço da mercadoria.


Neste modelo o maior risco fica por parte do importador, já que estará pagando por uma mercadoria que ainda nem mesmo recebeu.


Cobrança documentária (à vista ou a prazo):

Esta modalidade já proporciona uma maior segurança entre ambas as partes, porém o risco continua não sendo nulo. Ao contrário das outras modalidades que apenas eram feitas transferência bancárias, nesta as instituições financeiras têm uma participação ativa em relação ao tramite da documentação de operação de importação ou exportação. É bom salientarmos que cada vez que tratarmos de “documentação”, se refere aos documentos necessários para liberação da carga na aduana.

A cobrança documentária é caracterizada mediante ao aceite do saque se for pagamento a prazo, para que seja feita a liberação dos documentos mencionados anteriormente. Com o aceite do saque, o importador se compromete a pagar a quantia disposta no mesmo. Caso seja pagamento a vista, o importador simplesmente irá realizar o pagamento junto ao seu banco para estar em posse da documentação.

Por ter a participação ativa do banco no tramite de documentos, a operação fica mais custosa. Veja abaixo algumas etapas que ocorrem nesta modalidade:

1. Exportador irá produzir a mercadoria e realizar o despacho.

2. Exportador encaminha os documentos ao seu banco.

3. O banco do exportador encaminha os documentos ao banco do importador.

4. Com ciência da chegada dos documentos, o importador realiza o pagamento. Caso for a prazo, será mediante ao aceite do saque, que os documentos serão liberados.

5. O importador, em posse dos documentos, realiza o desembaraço da mercadoria.

6. O banco do importador repassa o dinheiro ao banco do exportador, então informando o seu cliente.


Nesta modalidade, os riscos ficam distribuídos entre importador e exportador. Porém o risco ainda é um pouco maior ao exportador caso a cobrança documentária seja a prazo, porque mesmo após o importador ter aceito o saque, não garante que o exportador irá receber o valor da venda. Isto ocorre porque o banco agirá apenas como uma entidade cobradora, e não garante nenhum tipo de ressarcimento ao exportador caso haja inadimplência da parte dele. Caso isto ocorra, o exportador terá auxílio do banco para que sejam feitas as devidas cobranças, podendo talvez até que entrar com um processo judicial contra o importador.

Existe um documento de boas práticas no comércio internacional produzido pela Câmara de Comércio Internacional (CCI) em relação a este meio de pagamento, este documento se chama URC 522.


Carta de crédito (à vista ou a prazo):

No comércio exterior há uma grande aprovação entre as organizações e entidades pelo uso desta modalidade de pagamento, sendo esta a que garante maior segurança para ambas as partes. O risco para os dois lados diminui exponencialmente, porém continua não sendo nulo.

Nesta modalidade, igual a cobrança documentária, o banco também possui uma participação ativa em relação ao tramite de documentos. Porém, neste caso, o banco não apenas age como uma entidade cobradora, mas também garante que o dinheiro seja entregue ao exportador caso ele cumpra todas as exigências da carta de crédito. Devido a isto, a operação fica ainda mais custosa que a modalidade anterior.

Normalmente, quem opta por utilização da CC (Carta de Crédito) é o exportador, que solicita ao importador para que esta seja aberta junto ao banco do importador. Isto ocorre porque o exportador pode perceber alguns riscos na operação, como por exemplo: inadimplência, economia do país importador, documentação, entre outros. Porém, o importador pode sim solicitar o modelo de CC em uma importação.

Este modelo é caracterizado justamente pela abertura da carta de crédito por parte do importador junto ao seu banco, aonde o importador preencherá está carta de crédito com todas as exigências e informações que o exportador precisa seguir, só assim ele irá receber o devido valor pela mercadoria. A partir deste momento, o banco do importador separa e garante que o valor do processo de importação será pago ao exportador caso ele cumpra todas as exigências contidas na CC, que pode ser à vista ou a prazo.

As informações que podem conter em uma carta de crédito são, por exemplo: data para embarque, modelo de embarque, data de prontidão da mercadoria, valores, documentação necessária/adicional, instrução de embarque no geral, entre muitas outras informações que se refere ao processo de importação. Caso o exportador não cumpra nenhuma dessas exigências feita pelo importador, ele não recebe o valor negociado, tendo que ser solicitado uma emenda acordado por ambas as partes para alterar alguma exigência ou informação contida nela.

Note que, o exportador antes de aceitar a carta de crédito aberta contra ele, pode solicitar uma prévia da carta de crédito antes de efetivamente confirmar o ‘aceite’ da mesma, para poder analisar todas as exigências e informações contida nela.

É importante informar que existe uma nomenclatura bancária para este tipo de operação. Iremos usar apenas as 4 entidades padrões que participam em todo processo que envolva CC, sendo estas entidades:

Beneficiário: Exportador, que se beneficia da operação.

Tomador: Importador, que solicita a abertura da CC.

Banco emissor: Banco do importador que emite a carta de crédito.

Banco avisador: Banco do exportador que contata o beneficiário.

Dito isto, abaixo fazemos uma demonstração padrão que ocorre neste tipo de modalidade:

1. O importador solicita a abertura da CC junto ao seu banco contra o exportador.

2. O banco emissor envia a CC ao banco avisador.

3. O banco avisador notifica ao exportador que tem um crédito aberto contra ele.

4. O exportador ciente deste crédito, realiza o despacho da mercadoria.

5. O exportador entrega os documentos ao seu banco para enviar ao banco do importador.


Como mencionado anteriormente, a CC pode ser à vista ou a prazo, fazendo com que a operação tome rumos diferentes a partir deste momento.


Caso for à vista:

6.1 Após entregar os documentos, o banco realiza o pagamento ao exportador.

6.2 O banco do exportador envia os documentos ao banco do importador.

6.3 O banco do importador ressarce o banco do exportador.

6.4 O banco do importador assume a dívida e entrega os documentos ao importador.

6.5 Com os documentos, o importador desembaraça a mercadoria.

6.6 O importador realiza o pagamento ao seu banco.


Caso for a prazo:

7.1 O banco do exportador envia os documentos ao banco do importador.

7.2 O banco entrega os documentos ao importador mediante ao aceite do saque.

7.3 Com os documentos, o importador desembaraça a mercadoria.

7.4 O importador realiza os pagamentos conforme os prazos estipulados.

7.5 O banco do importador transfere o pagamento ao banco do exportador.

7.6 O banco do exportador realiza o pagamento ao exportador.


É importante reiterar que esta é apenas uma demonstração padrão, podendo sim variar dependendo de cada caso.

Existe um documento de boas práticas no comércio internacional produzido pela Câmara de Comércio Internacional (CCI) em relação a este meio de pagamento, este documento se chama UCP 600.


Aqui na DAMA nós analisamos qual a melhor modalidade de pagamento para cada operação, seja ela de importação ou exportação. É uma análise geral do país que será importado ou exportador a mercadoria, e uma análise do exportador ou importador.

28 visualizações0 comentário